18 de dezembro de 2009

Se eu não amasse ninguém

Se não amasse ninguém, talvez eu fosse mais tranquilo. Não pensaria em nada quando visse um romance na Tv, não vislumbrasse um amor de filme para mim, que filmes são lá mentirosos. Não passaria noites acordado imaginando o que falar quando encontrasse esse alguém, ou jamais perderia a concentração quando mais precisasse. Nunca teria perdido meu tempo tentando encontrar essa pessoa, pra que essa pessoa reparasse em mim, que inútil! Se eu não amasse ninguém talvez eu tivesse todas, tivesse apenas o prazer, sem pudor, sem amor, sem nem carinho. Apenas a troca de beijos e outras coisas que não cabe dizer por aqui. Nem mesmo planejasse uma família, quão péssimo seria ter crianças correndo pela casa, esbarrando em meus aparelhos de decoração tão caros, sujando tudo, se sujando! Sem pensar nos gastos com todos, todas as contas e despesas. Tudo isso por amar alguém! Ah, se eu nunca tivesse amado alguém na vida... Não gastaria o suor de meus dedos escrevendo cartas bregas que depois eu nem enviaria. Não teria fechado os olhos agora pra ter a inspiração pra continuar escrevendo isso e agora não teria esse aperto no meu peito por nunca ter tido você. Teria mais tempo pra mim, ao invés de bolar planos pra te encontrar e não te perder de vista. Pra que todas as mentiras dos filmes fosse reais pra nós. Pra que nossas crianças sejam felizes, mesmo arranhando os joelhos quando cairem por aí. Pra que alivie esse nó no meu peito e que se fosse pra perder noites de sono, fosse pra te vigiar enquanto dorme e saber que ali tenho a peça fundamental e insubstituível para a minha felicidade.

(Fred Sá Teles)

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